O paradoxo do prazer que traz dor
1) O mecanismo do despertar imediato e da queda vertiginosa do circuito de recompensa
A subida vertical dos níveis de dopamina provocada pelos estímulos superficiais e o inevitável rebote emocional
As coisas que levantam o seu ânimo rapidamente.
Álcool, dinheiro, sexo, baladas, "curtidas", videogames, pornografia.
O problema é um só.
Tudo o que sobe, inevitavelmente desce.
E cada vez que desce, cai mais fundo.
O prazer não é felicidade, mas uma dívida.
O primeiro copo é doce.A primeira balada é uma loucura de diversão.
A primeira vez no sexo é como o céu.
2) A vida cotidiana transformada em carência pela homeostase e pela redução de receptores
A tolerância provocada pela rápida adaptação do cérebro e o desejo viciante de estímulos mais fortes
O cérebro se adapta rápido.
Com o mesmo estímulo ele já não se satisfaz.Por isso procura coisas cada vez mais fortes.
Bebida mais forte, mais dinheiro, coisas mais excitantes.
E em algum momento um dia normal
é sentido como uma carência insuportável.
Uma tarde tranquila, um livro, uma simples conversa:
o cérebro rejeita tudo dizendo "que chato".
3) O empréstimo antecipado de energia emocional e a cobrança de uma dívida chamada vazio
A apatia e a ansiedade futuras que se pagam por gastar à força, antecipadamente, a dopamina do presente
O prazer é um empréstimo de felicidade que você gasta antecipadamente.
O riso de hoje é pago com o vazio de amanhã.A euforia de hoje, com a apatia e a ansiedade de amanhã.
4) A armadilha legal de um ecossistema criminoso que se aproveita da falta de estímulos
Um jugo astuto que destrói vidas explorando a solidão e o desejo de prazer
Os demônios que vigiam cada entrada do prazer
Os golpistas sabem disso de cor.
Miram com precisão quem está sozinho, esgotado e com sede de estímulos.
O amor falso nas redes sociais, as palavras doces, um único encontro.
E no dia seguinte chegam as ameaças, as exigências de dinheiro, a ruína de uma vida.
Num mundo em que basta um esbarrão para você ser denunciado,
eles conhecem a lei melhor que um juiz.
E sabem também que você não vai ter ninguém para ajudar.
Conclusão: a paz interior e o efeito de juros compostos emocionais trazidos pelas boas obras altruístas
O valor bíblico do amor ao próximo e a poupança espiritual que superam a estrutura de falência do prazer egoísta
O amor é uma poupança
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" parece chato.
Fazer o bem, dar, aguentar, ouvir.
Até parece um incômodo e uma perda.
Mas, curiosamente, com o tempo o coração vai ficando mais leve.
O vazio diminui, a autoestima sobe e a verdadeira felicidade vai se infiltrando.
De fato, o prazer é um empréstimo, e as boas obras são uma poupança.
Uma vida que só repete empréstimos acaba em falência, mas uma vida que poupa acumula juros compostos.